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Queda no emprego, PIB estagnado e inflação em alta: cenário de reeleição de Dilma

Editorial da Folha de São Paulo

 

O inverno chegou

Não cessa a onda de dados econômicos negativos. Os últimos índices de confiança, produção, vendas e, agora, emprego apontam para uma recessão. O quadro fica cada vez pior para o governo Dilma Rousseff (PT), preso a um discurso otimista que em nada reflete o desalento disseminado pelo país.

Os sinais são inequívocos. O indicador mensal do PIB divulgado pelo Banco Central teve nova queda em maio, de 0,2%. A julgar pela conhecida redução da produção industrial e da atividade em outros setores, a retração em junho deve ser mais acentuada.

Se confirmada essa expectativa, será possível falar em recessão quando o IBGE divulgar o PIB oficial do segundo trimestre, o que fará no final de agosto. Analistas já revisam a projeção de 2014 para uma alta inferior a 1%.

Nos últimos meses, o governo tem procurado se esquivar lembrando que as pessoas não comem PIB. Puerilidade à parte, a afirmação soa infeliz num momento em que também o emprego engrossa o coro de notícias ruins –e, neste caso, trata-se de economia bem real.

Foram criadas 25 mil vagas formais em junho, o pior saldo desde 1998. Ajustado pela sazonalidade (nesse mês normalmente são gerados mais postos do que na média do ano), o número retrata o desaparecimento de 30 mil empregos. É a quarta redução consecutiva.

Todos os setores apresentam desempenho fraco. O pior, como esperado, é o industrial, que fez 28 mil demissões em junho e 60 mil no segundo trimestre.

Quanto às vendas no varejo, houve diminuição de 0,3% em maio, a despeito do forte aumento de atividade em eletrodomésticos, provavelmente devido à Copa do Mundo. Em junho, a situação deve piorar. O colapso no setor de automóveis é o principal destaque.

Um pedaço da trajetória em queda livre descrita pelos indicadores no período de maio a julho decorre, sem dúvida, do menor número de dias úteis e da paralisação provocada pelo Mundial. Mas o pano de fundo não muda: a economia está estacionando, e nada indica mudança de humor no curto prazo.

A inflação, tudo o mais sugere, terminará o ano perto do teto do regime de metas, 6,5%. Não há alívio, portanto, o que complica o cenário para o Banco Central.

A decisão de manter a taxa básica de juros em 11% “neste momento” era esperada, mas analistas interpretaram o comunicado do BC como um sinal de que em breve poderá haver recuo da Selic, apesar da contínua pressão nos preços.

A mistura atual de PIB estagnado e inflação em alta é a pior em muitos anos. O governo surfou a onda do consumo e do crédito fácil por tempo demais e foi leniente com suas próprias contas, entre outras estripulias econômicas. Não se preparou enquanto o clima era bom, e agora o país paga por isso.

 

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