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Por que cada governo precisa ter uma nova marca?

É prática comum a criação e utilização de uma nova marca sempre que mudam os governantes. Isso ocorre em todas as esferas, federal, estadual e municipal. Na verdade, nem precisa mudar o governante. Basta ser um novo mandato e o mesmo governante já manda criar outra marca. Nesta quarta-feira, por exemplo, foi apresentada a nova marca do Governo do Maranhão. Mas, por que cada governante precisa ter uma marca diferente?

O custo a cada mudança é significativo. Imagine, só pra ficar em alguns exemplos, mudar a fachada de cada escola e órgão público que sustenta a marca anterior; substituir placas e toda comunicação visual de secretarias, carros oficiais, papéis timbrados; o que fazer com as enormes placas que o Detran colocou nas avenidas de São Luís com a “marca do governo Roseana”?

O custo para os cofres públicos começa já na criação da marca, geralmente encomendada a uma agência de publicidade a peso de ouro. O que não é o caso da nova marca do Governo do Maranhão, que foi criada pela equipe da Secretaria de Comunicação. Mas, em geral, não é assim que acontece. Fica mesmo a cargo de uma empresa contratada.

Uma nova marca para cada governante ou governo serve como uma assinatura em obras públicas. É para quem passar saber que aquela obra é ou foi feita por fulano. Veja os terminais de integração de São Luís com a “marca de João Castelo”, o ex-prefeito. Isso não feriria o princípio da impessoalidade na Administração Pública? Ou é apenas uma interpretação equivocada nossa? Se a marca lembra o governante, isso é pessoal, não é? Se não é, por que mudar?

Brasão do Estado do Maranhão

De sorte que, ainda que seja uma interpretação equivocada por parte do blog, só o fato de a mudança de marcas gerar custos aos cofres públicos seria motivo suficiente para que se adotasse apenas o brasão do estado como única marca a ser perpetuada independe de quem seja o governante. Isso já acontece em vários estados, como no vizinho Piaui desde o ano passado.

Mas, a questão que levantamos deve sim ter algum fundamento, afinal, no Espírito Santo o Ministério Público entrou com uma representação obrigando o governo daquele estado a retirar a “marca de gestão” de sua publicidade e utilizar somente o brasão oficial. Isso é impessoal e gera economia, ao passo que não precisa haver mudança a cada novo governante. Se possível, isso, aqui no Maranhão, deveria ser instituído por lei de iniciativa do executivo. Mas, parece que não vai ser desta vez

Na visão do blog, o governador Flávio Dino perdeu uma boa oportunidade de promover essa mudança de hábito. E, considerando que, de um jeito ou de outro, haveria o custo da mudança da marca do governo anterior, fosse para utilizar o brasão do estado ou a “marca do governo Flávio Dino”, seria um custo único. E ele, Flávio, deixaria a sua 'marca' (aqui no sentido figurado) como o governador que implantou tal mudança. Se instituída por lei, ninguém mais depois dele poderia utilizar como “marca de gestão” outra marca senão o brasão oficial.

Isso não parece impessoal

 

 

 

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