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Pimenta no bolso dos outros é refresco

Por Glória Barreto

“Os preços AUMENTARAM!!!”

A manchete se repete a cada dia. Em evidência, neste momento, por exemplo, o aumento de preço das passagens de ônibus em São Luís. Diante da atual situação econômica do país, os aumentos tornaram-se corriqueiros. O da tarifa de transporte é só mais um de muitos. Tudo está mais caro: o feijão, a gasolina, a energia, os remédios. E, daqui para o final do ano, a tendência é que a lista de itens seja maior.

Não se pode negar que há um fator preponderante na crise instalada: a corrupção. Sim, estamos todos sendo lesados. Eles roubaram bilhões e alguém tem que “pagar a conta”. Conta que está sendo dividida em várias frentes, afinal é “de grão em grão que a galinha enche o papo”. A população vai pagando com um aumentozinho aqui, um corte em alguns benefícios sociais ali e, assim, você e eu pagamos.

Entretanto, quero falar nestas linhas sobre um comportamento que observei diante dos últimos aumentos, especificamente os da gasolina e, posteriormente, da tarifa de ônibus.

Há pouco tempo, muitos reagiram ao aumento do combustível com desdém, como se dissessem “eu não tenho carro, o problema não é meu” ou “quer andar de carro, então se vira“. Os donos de veículos protestaram. Sozinhos.

Pensei cá com meus botões que se o preço do combustível aumenta vai influenciar nos preços de outras coisas indiretamente, inclusive do transporte. E não deu outra. O aumento no preço do combustível foi usado como um dos argumentos para o aumento na tarifa de ônibus. Logo, a população que depende do transporte público também foi afetada.

E os motoristas que reclamaram do aumento do combustível sozinhos se uniram aos usuários dos ônibus? Claro que não. Cadê o apoio mútuo? Será que somos tão egoístas, para pensarmos que enquanto não nos atinge não é nosso problema? Quando a gasolina ficou mais cara, quem não tinha carro não protestou. Agora, quem não anda de ônibus não tá nem aí para o aumento na tarifa de transporte. Pimenta no bolso do outros é refresco.

A culpa é dele(a)!

Por outro lado, observo veículos de comunicação utilizando as notícias politicamente para desgastar adversários. Concordo que a prefeitura tem que ser cobrada em relação ao aumento das passagens de ônibus, afinal ela é a responsável pelo sistema. Mas, Infelizmente, o “buraco” é mais embaixo. Quem dera fosse um problema apenas local. Entretanto, vivemos uma crise nacional. A culpa de todo o caos é dos excelentíssimos ladrões de colarinho branco deste país que fingem nos representar, mas atuam em causa própria. Servem-se do povo, fazendo-o achar que está sendo servido.

Talvez eu não seja a pessoa ideal para falar de política e economia, mas, como cidadã e educadora senti-me na responsabilidade de utilizar o espaço desta coluna para dividir a minha impressão e opinião. Mesmo porque, diante desse contexto, penso nos valores pessoais que temos e demonstramos aos nossos filhos e alunos.

Os valores estão invertidos. Parece que o certo é ser errado. Queremos nos dar bem em tudo, sem nos importarmos com os outros. Até pequenos atos que deveriam ser naturais, ordinários, como devolver uma carteira perdida, tornam-se extraordinários e viram notícias nacionais. Realmente a honestidade está em desuso!

Se continuamos querendo tirar vantagem sobre os outros nos mínimos acordos e situações do dia a dia, somos tão corruptos quanto qualquer político. E se nossos jovens não têm líderes para inspirá-los, é necessário que pais e familiares sejam os modelos a serem seguidos.

Provavelmente deveríamos colocar em prática as palavras de Cristo: “Façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam” Mateus 7:12.

 

 

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