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O poder da palavra. Para o bem ou para o mal.

Por Glória Barreto

“Você nunca vai ser nada na vida”;

“Quando eu tinha sua idade, era um bom filho para minha mãe”;

“Por que você não é como o filho de fulano?”;

“Não seja bobo, vai dizer que está com medo?”;

“Você não faz nada direito”;

“Você nunca vai aprender, que criança burra”;

 

Você já deve ter ouvido algumas das frases acima proferidas por alguém. Infelizmente, é comum. Palavras assim têm chegado às crianças em tom ameaçador e depreciativo. Mas, não se engane. Não se trata apenas de uma simples bronca. Na verdade, é uma forma de agressão denominada violência emocional. Uma “surra” que não deixa marcas visíveis, porém, tem destruído a autoestima de muitas crianças.

É necessário entender que, apesar de parecerem ficar soltas ao vento, as palavras podem marcar nossas vidas, para o bem ou para o mal. A violência emocional afeta todos os tipos de relacionamentos. Você já deve, por exemplo, ter passado ou testemunhado alguma situação de humilhação pelas palavras de um chefe ou algum superior. É natural ficar ficar magoado com esse tipo de atitude. Há pessoas que até adoecem e precisam de ajuda psicológica.

Imagine então quando a “violência” parte daqueles que são a nossa referência? Como adultos, admiramos profissionais, amigos ou colegas, personalidades. E se exatamente essa pessoa que você mais ama e aprecia neste mundo te insultasse? Imagine. E talvez você comece a entender o quão sensíveis e desajustadas as crianças se sentem ao ouvir coisas horríveis de seus amados país, que são a sua maior referência.

Se para nós, adultos, é dolorido, no caso dos pequenos as palavras tem um peso maior. Na infância, não há filtro, tudo que é ouvido é tido como verdade. A malícia das palavras, o cinismo e a ironia, o sentido figurado não é percebido – ainda -. A inocência não permite compreender que naquela oportunidade o pai teve um dia difícil, a mãe estava nervosa, e, por isso, disse algo que não deveria. A criança não terá essa compreensão. Ora, se os pais, que são sua referência de mundo, se descontrolam e enquanto estão bravos chamam seu filho de burro, provavelmente a criança vai interiorizar.

Ao corrigir uma criança mal comportada, existe o risco de apenas enfatizar seus pontos negativos. Principalmente, se o mau comportamento é o ponto central das conversas pai e filho. Se assim for, o mais provável é que a criança continue agindo errado. Ela vai se conformar em ser o que é esperado dela.

 

Como agir?

Com base em uma longa investigação sobre o poder das emoções positivas e o efeito de nossas ações na vida dos que nos cercam, o pesquisador Tom Rath e o psicólogo Donald O. Clifton desenvolveram um estudo que explica que tratar bem os outros, reconhecendo seus talentos e pontos fortes, é indispensável para sermos bem-sucedidos, tanto na vida pessoal quanto profissional. Segundo o estudo, a medida certa para manter uma pessoa saudável são de 5/1, ou seja, cinco elogios (palavras de incentivo), para uma observação negativa.

E, mesmo assim, essa correção deve ser mais explicativa do que depreciativa. Por exemplo, em vez de usar a frase “você não faz nada direito”, pode-se pedir que a criança refaça a tarefa, ao mesmo tempo lembrá-la como deve ser feita e explicar o quanto ela é competente para executá-la de maneira adequada. Esta atitude leva a criança a raciocinar, pensar no que fez, no que é esperado e o quanto sua capacidade é estimada. Dessa forma a criança entende o que fez de errado, mas a correção foi feita com amor.

Já fez mau uso das palavras? Não desanime.

Ninguém é perfeito. Temos vidas atribuladas e, por vezes, descontamos nossos problemas nas pessoas mais próximas: cônjuges, amigos e filhos. A pesquisa de 5/1 serve para todo o tipo de relacionamento. Faça um teste e aplique esta técnica em seu meio social.

No caso dos pequenos, saiba que sempre há tempo de mudar, pois diferente dos adultos as crianças tem facilidade para perdoar. Não é à toa que Deus diz para sermos como crianças para fazermos parte do Reino de Céus. O amor das crianças é puro, sincero e verdadeiro.

Daqui em diante, use o poder da palavra para o bem.

 

 

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