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Não aceite balinha de estranhos! A educação “vintage” na era digital.

Por Glória Barreto

Você se lembra das clássicas regras dos anos 80/90 ensinadas por nossos pais? Coisas como: não fale com estranhos; avise onde você está indo; não saia sem um casaco; olhe para os dois lados da rua; seja obediente na escola… e por ai vai.

Estas e outras frases eram constantemente repetidas e ressignificadas por temerosas histórias de alguém que descumprira as regras e tivera consequências tremendas. Confesso que na minha infância alguns relatos me tiravam o sono, pareciam impressionantes e assustadores.

Na verdade, nossos pais tentavam nos proteger e nos preparar para enfrentar diferentes situações. Era a forma de tentar prevenir abusos, garantir a segurança e educar as crianças daquela época. Nó víviamos “livremente”, brincando nas ruas e calçadas, íamos sozinhos à mercearias e vendas, fazíamos pequenos serviços para a ajudar em casa.

Os tempos são outros

Será que as regras daqueles tempos ainda são válidas nos dias de hoje? Como pais, não podemos apenas repetir a educação recebida. A sociedade não é a mesma, os riscos que nossos pequenos correm são diferentes, talvez maiores.

Apesar de as estatísticas apontarem que abusos a menores são cometidos, na maioria das vezes, por pessoas próximas, hoje a internet figura com uma porta aberta para estranhos se apresentarem aos nossos pequenos. Agora, não é só o estranho na rua, é o tráfico quem tem oferecido as “balinhas”. Não precisa ir ao mundo, o mundo chega dentro de casa.

A verdade é que nossa geração não foi educada sobre como “viver online“, mas, como pais, precisamos ensinar nossos filhos. Devemos aproveitar a fase em que eles são, digamos, “impressionáveis” (aquela fase em que os pais são os heróis). Explicar, por exemplo, como utilizar de maneira segura e adequada a internet. Orientá-los, demoradamente, sobre os riscos e consequências das drogas.

No meio escolar, já presenciei pais surpresos com as escolhas de seus filhos: drogas (lícitas e ilícitas) consumidas, conversas impróprias nos bate-papos, fotos inadequadas expostas na internet e situações embaraçosas ou discriminatórias em que se envolveram nas redes sociais. As respostas mais frequentes destes pais desinformados constatam sua ausência: “Eu nem imaginava que ele tinha isso. Será que não é de um amigo?”. “Eu não sei mexer nestas coisas” ou “eu proibi que eles usassem as redes sociais”.

As regras que nós recebemos no passado ainda podem servir de norte. Entretanto, é imprescindível reformular algumas delas e até acrescentar novos princípios, como:

• Não aceite “convites de amizade” de estranhos nas redes sociais.

• Fotos mentem. As aparências na internet podem não corresponder à realidade

• informações pessoais devem estar disponíveis apenas para amigos íntimos e familiares

Evidentemente, não se limita a isso. São apenas exemplos de regras que, quando seguidas, evitam que nosso filhos se exponham a situações de risco das quais já ouvimos falar. E não basta apenas orientar; é preciso vigiar. Não vale a desculpa de que “somos pais ocupados”. Redes sociais podem ser monitoradas à distância. Impor pequenas regras e manter-se vigilante pode fazer uma grande diferença!

Se você não sabe utilizar as redes sociais, siga um conselho: aprenda, se esforce. Se interesse por sites e redes nas quais seu filho tem interesse, e participe. Fique atento ao conteúdo, especialmente, se é adequado à idade dele. Permita que a criança participe e instrua sobre como se comportar. Se proibir, você tira a oportunidade de ensinar como o pequeno pode e deve agir online desde as primeiras experiência de navegação.

 

 

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