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Jornal O Globo também foi condenado a indenizar juiz “que não é Deus”

Sabe aquele juiz que ficou conhecido no Brasil inteiro depois de processar uma agente de trânsito do Rio de Janeiro por dizer que ele era “juiz, não Deus”? Pois o homem também processou O Globo. O motivo? O jornal noticiou um caso em que o juiz deu voz de prisão a funcionários da empresa de energia que foram à casa dele cortar o fornecimento de energia por falta de pagamento.

Pois vejam só. No caso da agente de trânsito Luciana Tamburini, o juiz foi parado em uma blitz da Lei Seca em 2011 com o carro sem placas e sem documento e sem portar a carteira de habilitação. O carro do magistrado foi rebocado. No intuito de impedir que a ação fosse adiante, ele se identificou com juiz, o que foi interpretado pela agente com uma tentativa de “carteirada”.

Todo errado, o Dr. juiz processou a agente de trânsito e ganhou direito a indenização de R$ 5.000,00 por ter ouvido dela que ele era “juiz, mas não Deus”. Pelo jeito, “deus” se ofendeu por não ter sua “divindade” reconhecida. Vale o registro de que dois anos depois, em 2013, o “deus” perdeu sua carteira de habilitação depois de se recusar a soprar o bafômetro em outra blitz da Lei Seca.

Já no caso de O Globo, o “deus” sentiu-se ofendido porque o jornal o chamou de caloteiro. Fica a critério do leitor decidir se vale ou não vale o título a quem não paga o que deve. A empresa de energia elétrica foi à casa do juiz para cortar o fornecimento por falta de pagamento e ele deu voz de prisão aos funcionários. O caso virou notícia e teve chamada de capa no jornal: “Juiz dá calote e tenta prender cobrador”.

O Dr. juiz entrou com uma ação contra O Globo pedindo indenização no valor de R$ 100 mil, porque a reportagem “gerou abalo em sua honra”. Depois de recorrer, o jornal conseguiu diminuir o valor da indenização para R$ 18 mil. Ainda cabe recurso.

OAB pede afastamento

Na última sexta-feira (14) a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio de Janeiro, entrou com pedido de afastamento do juiz João Carlos de Souza Corrêa. Além dos dois casos expostos aqui, o magistrado tem seu nome envolvido em outras polêmicas, como perseguição à jornalista Beth Prata após tê-lo denunciado à Corregedoria do TJ do Rio.

Ou ter mandado confeccionar placa especial para o seu carro com os dizeres “Armação de Búzios – 01”, quando juízes de primeira instância não gozam do direito à placa restrita.

Ou da vez em que ele estava em um restaurante e ordenou que todos deixassem o local porque haveria uma “reunião sigilosa do judiciário”.

Ao que parece até o momento tem sido confirmada a “divindade” do magistrado. Os que ousam entrar em seu caminho e desafiar seus poderes são processados e condenados por seus pares do Monte Olimpo, “deuses” que não aceitam ter “um dos seus” questionado em sua superioridade por meros mortais.

 

 

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