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Você gosta da sua Vaca?

By Jeisael Marx


Tenho andado muito incomodado com meu status quo nos últimos dias. Sabe quando falam da famosa “zona de conforto”? É mais ou menos isso. Não que esteja eu numa situação confortabilíssima. Eu falo mais no sentido de acomodação nas coisas e projetos que tô tocando. Tudo na mesma área: comunicação. E só. E eu não sou assim. Tô sentindo falta do tesão da época de faculdade.


Isso tem me empurrado a fazer alguns cursos a distância do Sebrae, a ler mais sobre empreendedorismo, a buscar novas idéias de negócio “fora do (meu) quadrado”. Principalmente depois de ter visto uma palestra do Walter Longo no Festival de Publicidade de Gramado. Pra mim, a melhor do evento.


Googlando pela net, revisitei uma parábola interessante que traz uma grande lição, porém, junto um monte de dúvidas e incertezas. Conta sobre a única posse que garantia o sustento de uma pobre família: uma vaquinha, que foi jogada no precipício.


Anos após, soube-se que eles se tornaram uma grande família empreendedora, gerando riquezas e benefícios, porque mudaram de vida e descobriram novos caminhos após a perda da vaquinha. (Veja a parábola completa no fim do post)


Diz-se que as parábolas falam das verdades essenciais contidas no subconsciente humano, daí o forte e instantâneo elo com o leitor. São aceitas universalmente como a forma ideal de transmitir ensinamentos complexos em poucas palavras a pessoas comuns. Grandes mestres como Jesus, Buda, Maomé, utilizaram muito este recurso para transimitir ensinamentos.

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Essa da vaquinha no precipício é uma das minhas preferidas, pois trata de tudo que faz parte do mundo empreendedor: segurança, risco, mudança, visão, persistência, etc.


Atirar a vaca precipício abaixo pode significar mudar de ramo de negócio, mudar de emprego, sair de uma sociedade, buscar um novo negócio, mudar de cidade, enfim, fazer algo diferente explorando potencialidades que às vezes nem sabemos que temos.


Só é preciso ser cauteloso e não se empolgar com essas lendas. Não é fácil parar com o que se está fazendo, atirando dívidas e credores no precipício e começar nova vida. Se a idade é pouca, não se é casado e não se tem filhos, começar novamente é mais fácil.


Mas se a idade avança e as oportunidades são poucas? Se as responsabilidades com família já estão sobre o lombo? É preciso ter o plano B, um caminho alternativo. Tudo nesta vida deve ser amplamente estudado e planejado. E isto não está implícito na parábola. Nada acontece como num passe de mágicas. Tem uma frase que é certeira: antes de melhorar, sempre piora. É bom estar preparado pra isso.


Palavras de quem já atirou muitas vaquinhas no precipício, algumas bem gordinhas e leiteiras. Hoje, vejo essa lenda com um pouco mais de cuidado. Mas tenho tido muita vontade ultimamente de atirar uma vaca gorda leiteira no precipício.


Mas será que é possível só colocar a outra bezerra do lado pra engordar e dar leite? É uma outra possibilidade. Enfim, é hora de planejar.


E lembre-se que mesmo que você não jogue sua vaquinha, sempre há a possibilidade de alguém empurrá-la no abismo. Esteja preparado.


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LEIA A PARÁBOLA COMPLETA
Aprecie com moderação.


A VAQUINHA E O PRECIPÍCIO –


Um mestre passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer-lhe uma breve visita. Durante o percurso, ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também, com as pessoas que mal conhecemos.


Chegando ao sítio, constatou a pobreza do lugar, sem calçamento, casa de madeira, os moradores – um casal e três filhos – vestidos com roupas rasgadas e sujas. Então, aproximou-se do senhor e perguntou-lhe:
– Neste lugar, não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como a sua família sobrevive aqui?


O senhor respondeu:– Nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite. Uma parte do produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por comida e a outra produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo, e assim vamos sobrevivendo.


O sábio agradeceu, se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou ao seu discípulo e ordenou-lhe:– Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e jogue-a.


O jovem arregalou os olhos e questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família; mas, como percebeu o silêncio do seu mestre, cumpriu a ordem: empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.


Anos depois, ele resolveu largar tudo e voltar àquele lugar, pedir perdão e ajudar a família. Quando se aproximou, do local avistou um sítio bonito, com árvores floridas, carro na garagem e crianças brincando no jardim. Ficou desesperado, imaginando que a família tivera de vender o sítio para sobreviver.


Chegando lá, foi recebido por um caseiro simpático, a quem perguntou sobre as pessoas que ali moravam. Ele respondeu:– Continuam aqui.


Espantado, entrou correndo casa adentro e viu que era mesmo a família que visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha):– Como o senhor melhorou o lugar e agora está bem?


O senhor, entusiasmado, respondeu:– Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Daí em diante, tivemos de fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos e, assim, alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora.
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