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Usamos ou somos usados?

Por Glória Barreto

Qualquer pessoa adora um conforto. A maioria de nós, pelo menos, gostaria de usar roupas de marca, ter uma casa bacana, desfrutar de equipamento eletrônicos de ponta e mais uma infinidade de coisinhas da vida moderna. Mesmo quem não tem lá todo esse dinheiro para adquirir certas marcas, gosta de dar uma espiadinha nas tendências.

Tem mulher, por exemplo, que fica feliz em ir ao shopping somente olhar as vitrines. O que dizer de homens que ficam babando aquele modelo de carro que custa umas 10 vezes mais o valor do seu basiquinho um ponto zero.

Longe de mim recriminar o bom gosto e o desejo de cada um, entretanto percebo que tem sido cada vez mais comum deixarmos de ser apenas consumidores para virarmos “garotos propaganda” de grifes e marcas famosas. Sem remuneração, é claro. E tem gente que ainda se orgulha disso. Dá para imaginar?

Temos emprestado, nossa imagem, nossa influência e credibilidade para disseminar marcas de forma gratuita. Tem gente que se veste com camisetas que estampam a marca em mais de 50% do tecido. Ok, que a roupa é de marca, mas precisa ter a marca “maior que a roupa”? É tipo ostentação?

Veja que não estou dizendo que não devemos usar roupas de marcas. Gosto de qualidade e sou extremamente a favor da escolha pela qualidade que algumas nos proporcionam: tecidos duráveis, cortes que valorizam o aspecto corporal, modelos clássicos e modernos. Mas, pera lá. Estampar, bordar, pintar sobre minha roupa sua marca em tamanho descomunal e eu ainda pagar caro por isso?

E isso foge também do mundo da moda para o mundo tecnológico. Tem aparelho celular desbloqueado para ser usado em qualquer operadora, mas que já vem com a marca de uma operadora específica embutida no seu sistema operacional. Mesmo que você use a operadora Y, é praticamente obrigado conviver com a marca da operadora X toda vez que liga ou usa o aparelho. E o preço do equipamento foi menor por isso? Claro que não, mas a marca esta sendo disseminada contra nossa vontade em nosso dia a dia.

Pensemos em termos publicitários:

Outdoor

Custo – 630, 00

Tempo de veiculação – duas semanas.

Alcance publicitário – centenas ou milhares de consumidores que trafegam nas avenidas

Backbus (propaganda impressa atrás do ônibus)

Custo – Impressão 120,00 e veiculação 680,00

Tempo de veiculação – 1 mês

Alcance publicitário – pessoas que entrarem em contato com o ônibus em determinada linha.

Publicidade do refrigerante com seu nome, postado em seu perfil do facebook

Custo – 00,00

Tempo de veiculação – indeterminado

Alcance publicitário – todos os seus amigos e as pessoas que irão imitar sua publicação.

Publicidade de uma camiseta com grande estampa da marca

Custo – 00,00

Tempo de veiculação – enquanto o produto durar

Alcance publicitário – todos os locais em que você frequenta.

Resumindo, dependendo do quanto uma marca aparece em um produto que você consome, você está pagando para fazer propaganda. Por isso volto a questionar. Estamos usando ou sendo usados?

 

 

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