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Preservar é lucrativo

Se há algum tempo falar em tratamento de resíduos, reutilização da água ou uso de energias limpas era coisa de “eco chato”, agora estas medidas representam boa gestão empresarial. “Até cinco anos atrás, as empresas só passavam a se preocupar com questões ambientais quando eram autuadas. Mas estão despertando para o fato de que o descuido com questões socioambientais faz com que as empresas percam competitividade”, afirma Linda Murasawa, diretora de produtos sócioambientais do Banco Real ABN Amro.Além da redução nas contas de água e luz, investir em melhorias ambientais possibilita à empresa atender às licenças cada vez mais requisitadas pelo mercado. Principalmente, no caso das micro e pequenas empresas, esse enquadramento significa expansão de negócios. “Quando um empresário implanta um projeto socioambiental, ele pode, por exemplo, virar fornecedor de uma grande empresa, entrar nessa cadeia produtiva. E isso faz com que esse empresariado cresça”, explica Linda. Para Eduardo Bandeira de Melo, diretor do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, ser ecologicamente responsável tornou-se sinônimo de marketing positivo para os empreendimentos: “Qualquer empresa, hoje, está sujeita até a uma certa pressão dos fornecedores, investidores, acionistas e clientes para que tenham uma postura positiva em relação ao meio ambiente. Isso aí é estratégia de divulgação”.Buscando atender a estas demandas, bancos têm disponibilizado linhas de crédito voltadas para projetos de melhorias ambientais. No Real ABN Amro, os produtos do gênero são dirigidos para os pequenos e médios empresários. “É nesse segmento que temos interesse de atuar fortemente, pois sabemos que estamos atuando na base da economia brasileira para transformar a visão socioambiental dos empresários do país”, afirma Álvaro Silveira, gerente de Negócios para Pessoa Jurídica do banco. Para estimular a aquisição do crédito, o Real ABN Amro focou seus produtos em financiamentos de médio e longo prazos. Para empresas pequenas, o prazo de pagamento é de até três anos. No caso da compra de equipamentos para aumentar a eficiência energética, e tratamento e reutilização da água, por exemplo, o banco financia até 100% do valor. Como garantia, o empresário pode deixar o equipamento alienado ao banco. “Este setor estava acostumado a receber seis meses, no máximo 12 meses para pagar. A oferta destas condições faz com que o empresário veja que tem uma alternativa de investimento”, diz Linda. Não é à toa que o número de contratos nesta linha fechados desde 2002, quando ela foi aberta, cresceu exponencialmente: de 40, no primeiro ano, para 4 mil, em 2006, movimentando cerca de R$ 15 milhões.Os pequenos varejistas constituem a maior parte dos clientes da linha socioambiental do Real ABN Amro. Já no caso do BNDES, os produtos são utilizados principalmente por indústrias médias e grandes da área de infra-estrutura e siderúrgica. Segundo Melo, como muitas operações são feitas através de agentes financeiros ou entram como subcréditos de financiamentos maiores, fica difícil contabilizar dados sobre a quantidade de contratos fechados. “Ainda há investimentos em meio ambiente que fazem parte das linhas tradicionais do BNDES, embutidos em um processo de modernização.” Ele ressalta como a atitude de modernizar a empresa tem cada vez mais implicações do ponto de vista ambiental. “As novas tecnologias são sempre mais limpas. O que confirma que investir em meio ambiente é um bom negócio.”Melo coloca os investimentos em eficiência energética como os mais solicitados ao banco, destinados tanto aos usuários finais quanto às empresas de serviços de conservação de energia (Esco), que são contratadas para planejar e implementar sistemas de economia energética para empresas. As Escos são remuneradas com cláusulas de risco: intervêm na planta do cliente e só começam a receber quando for constatada a redução. “Este é um setor já dinâmico em países desenvolvidos. O BNDES busca contribuir para a consolidação destes serviços aqui”, afirma Melo.

(Do empreendedor)

Radialista e Jornalista, Professor de Comunicação e Oratória, Locutor Publicitário e Apresentador de TV
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