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Polícia para quem precisa de polícia – A resposta

O post POLÍCIA PARA QUEM PRECISA DE POLÍCIA recebeu o comentário de um policial que certa vez atendeu a uma ocorrência na qual estava eu envolvido: um acidente de trânsito, com um motorista bêbado, agressivo e violento. Eis os principais pontos do comentário:
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“sou aquele policial que durante seu pedido de ajuda estava junto com uma policial feminino lá no jaracaty e fiquei com vc durante horas no sol quente esperando a viatura da perícia
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Exatamente, companheiro. Ficamos horas esperando a viatura da perícia. Pra ser mais exato, o acidente ocorreu às 11:20h e eu voltei pra casa às 17:50h. Você apenas confirma a minha indignação. Não havia “sol quente” naquele dia. O acidente, inclusive, foi debaixo de chuva. Era um dia chuvoso.
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O amigo policial diz ainda que a viatura “demorou porque tinha 4 ocorrências anteriores” à minha e os policiais nem tinham almoçado. Ah, tá. Mais uma triste costatação: somente uma viatura para atender todo mundo. Eficiente, hein? Almoçar? Eu não almocei naquele dia.
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“ao chegar em meu batalhão, na época lembro-me que era a patrulha do bairro, ainda tive de dar esplicações aos meus superiores por ter saído da minha área de abrangencia…tudo, para lhe ajudar com aquele moço bêbado que bateu no seu carro”
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“…naum vou poder me identificar pois posso sofrer sanções dos meus comandantes, mas,vc acho que ainda lembra de mim…”.
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Dar explicações? Ser retaliado por seus comandantes? Que diabos é isso? Regime do medo? O que você fez de errado? Por que sofreria qualquer penalização? Isso só reforça o que a gente já sabe: na polícia, oficial “se acha” e muitas vezes se aproveita da hierarquia para pisar e humilhar subordinados. Existem duas polícias dentro da polícia: os oficiais e o resto. Eles se acham a última coca-cola do deserto.
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“…aquele senhor ainda tentou me subornar e eu o ameaçei prendê-lo caso o fizesse… “
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Ameaçar? Devia tê-lo levado preso então. Estaria cumprindo a lei e o seu dever. Se não o fez, errou. E só pra você saber, aquele Senhor saiu impune de toda aquela palhaçada. Por quê?
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Porque você não deu ordem de prisão quando ele tentou suborná-lo. Porque não fizeram o teste do bafômentro. Porque mesmo vendo que ele estava bêbado, nem você nem os outros policiais atestaram seu estado como prevê a lei em caso de alto grau etílico perceptível. Porque seu companheiros não fizeram levantamento pericial nenhum. E vocês ainda o permitiram dirigir para voltar ao local do acidente mesmo cambaleante de bêbado.
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Porque depois fazer corpo de delito, depois de registrar a ocorrência, depois de descobrir seu (do motorista bêbado) endereço de trabalho, a ‘dotôra’ titular da delegacia do Vinhais disse que seus agentes não conseguiram localizar o infeliz pra intimá-lo.
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Eu consegui encontrá-lo, mas a polícia não. Assim como tentou subornar você, quem sabe não teria conseguido tal feito com os agentes, hein? É esse o retrato das nossas polícias, caro companheiro.
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Quanto a generalização que fiz, mantenho-a. O que era pra ser regra, virou exceção. Você, pude notar, é um bom ser humano, íntegro, de princípios. Você é a exceção que confirma a regra na polícia.
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A grande verdade é que a polícia é instituição falida moralmente e precisa de reformas urgentes. Criada para defender o cidadão, nossa polícia é uma das violentas do mundo, carrega resquícios da ditaura militar e reproduz em todo o Brasil o modus operandi da época. Não se justifica numa sociedade dita democrática a instituição policial-militar.
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O perfil do policial no Brasil é conhecido: despreparado, ingressa na polícia com a exigência somente do segundo grau; destreinado porque passa o mínimo de tempo numa academia de polícia para receber a farda e a arma; mal remunerado porque seu salário é uma vergonha.
Um contexto que só contribui para uma polícia cada vez mais corrupta e distante da população.
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PS.:
Lembro muito bem de você e da sua companheira sim, Senhor! Mas não vou citá-lo. E onde encontrá-lo terei o prazer de estender a mão e lhe cumprimentar, assim com já fiz certo domingo bem cedinho lá naquela padaria do Renascênça, lembra?
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