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Polícia Federal investigou Adriano Sarney a pedido do próprio avô, diz Folha de S.Paulo

Adriano Sarney: "empresa faturava menos de R$ 5 milhões"

Adriano : “empresa faturava menos de R$ 5 milhões”

O deputado Adriano Sarney (ex-José Sarney Neto) ficou irritado hoje quando o blog Marrapá revelou que ele foi investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público sob suspeita de corrupção e tráfico de influência quando operou empréstimo consignado no Senado. “Será que eu interpelo judicialmente um blog irresponsável ligado ao Governo Virtual?”, escreveu o parlamentar no Twitter.

Ocorre que a investigação foi pedida – também – pelo avô de Adriano, José Sarney (PMDB-AP), que presidia o Senado à época. Segundo matéria do jornal “Folha de S. Paulo”, Sarney encaminhou à Polícia Federal um ofício solicitando investigação nas operações de crédito consignado na Casa. O ex-presidente pediu que todos os bancos e empresas intermediárias que atuavam no Senado fossem alvo da investigação, inclusive a de seu neto José Adriano Cordeiro Sarney.

O submundo do crédito consignado no Senado se formou por meio de atos secretos e boletins públicos que passaram despercebidos, quando o avô de Adriano presidia o Senado. Em janeiro de 2004, um ato deu a Carla Santana de Oliveira Zoghbi acesso à folha de pagamento dos 81 senadores e de cerca de 8 mil servidores, incluindo os inativos.

Por esse banco de dados, Carla acompanhou de perto os repasses do Senado a bancos conveniados dos valores dos empréstimos descontados em folha. Na época, ela era nora de João Carlos Zoghbi, então diretor de Recursos Humanos.

Adriano Sarney abriu a Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda quatro meses depois de Zoghbi inaugurar a Contact Assessoria de Crédito, que ganhou pelo menos R$ 2,3 milhões intermediando empréstimos junto a grandes bancos. A Sarcris foi registrada na Receita Federal como “correspondente de instituição financeira”, à semelhança da empresa montada por Zoghbi.

Ao jornal O Estado de S.Paulo, Adriano admitiu que a empresa existiu apenas no papel e que faturava “menos de R$ 5 milhões” por ano. Para refrescar a memória do neto de Sarney: ele atendeu a reportagem do Estadão num fim da tarde, quando estava passeando em Barreirinhas, nos Lençóis Maranhenses.

A ameaça de processo que Adriano fez hoje se concretizou contra três repórteres de Brasília, neste caso de empréstimos consignados. O parlamentar verde perdeu nas duas instâncias. Mas isso é uma outra história.

Em tempo

Adriano Sarney afirma que nunca foi investigado pela Polícia Federal, muito menos denunciado pelo Ministério Público Federal. O deputado estadual do PV também afirma que, apesar do pedido formal do avô para investigá-lo, não foi denunciado no inquérito dos atos secretos assinados pelo ex-senador José Sarney em 2009.

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