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Os argumentos falaciosos de Roberto Rocha para alterar o Parque dos Lençóis

Nesta “Nova Era” onde a versão se sobrepõe aos fatos, o senador Roberto Rocha (PSDB) utilizou os grupos de Whatsapp para propagar a suposta importância de seu projeto de lei que altera os limites do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (PNLM).

Até aí tudo bem, se os 5’25” do vídeo que foi produzido pelo gabinete do senador e circula em grupos de Whatsapp formado pelos moradores das comunidades tradicionais que moram no Parque não fosse um conjunto de manipulação de dados e fatos históricos comprovados documentalmente para criar no imaginário popular uma falsa importância da necessidade de retirada da comunidade do Parque.

Importante frisar que notas técnicas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do grupo e do Grupo de Estudos Rurais e Urbanos – GERUR (Leia Aqui) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) colocaram em dúvidas os reais objetivos do projeto de lei do senador Roberto Rocha que altera os limites do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (PNLM).

Roberto cita como exemplo exitoso e inspirador o ocorrido no Parque Nacional de Jericoacoara, onde, segundo garante e afirma, que deixar de fora da área protegida, quando do seu processo de criação, a Vila de Jericoacoara, permitiu “o desenvolvimento de todo o potencial econômico gerado pela conservação ambiental”. A nota técnica ressalta que grande adensamento populacional foi o que impediu a inclusão da Vila de Jericoacoara no PNJ, e que, ao contrário do que defende Rocha, as comunidades tradicionais foram as mais drasticamente atingidas durante o processo de “desenvolvimento” do famoso parque no Ceará.

“As comunidades pesqueiras tradicionais foram as mais prejudicadas, pois acabaram vendendo suas residências para empreendedores do setor turístico, principalmente para instalação de pousadas de luxo, e hoje residem distantes das áreas de pesca, muitos deles marginalizados”, destaca a nota técnica do ICMBio.

“A ênfase, predominantemente econômica, no sentido de privilegiamento de negócios de grandes empresários voltados ao turismo, aparece no PLS por vezes disfarçada de atendimento a um problema social”, diz o relatório elaborado por antropólogos, geógrafos e biólogos que formam a equipe multidisciplinar do Grupo de Estudos Rurais e Urbanos da UFMA.       

Em sutil, por isso mais perigoso, malabarismo verbal o senador faz um discurso de fácil convencimento a quem não pode perceber as intrincadas questões. E já tem convencido alguns moradores.

A base desta pós-verdade é a histórica adversidade entre o ICMBIo e os moradores da região sobre a ocupação e o direito de construção de edificações das comunidades históricas. Ele convence que para retirar as comunidades da proteção dos órgãos ambientais estaria corrigindo uma injustiça que as impede de ter acesso aos bens públicos, como hospitais e escolas.

No entanto, documentos obtidos pelo blog mostram que estas diferenças já foram superadas através de um termo de compromisso firmado entre as comunidades e as entidades de proteção ambiental que ao longo dos últimos anos vêm garantindo a construção de escolas nas áreas de preservação.

Mas, o que diz o senador na sua habilidade verbal?

“Não estamos tirando as pessoas do Parque, mas o Parque das pessoas”, afirmou Roberto Rocha.

Leia matéria completa no blog do Clodoaldo Corrêa 

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