Publicidade

Mais de 500 mil alunos tiraram zero na redação do Enem. O que deu errado?

Por Glória Barreto

529 mil estudantes tiraram zero na redação do Exame Nacional do Ensino Médio 2014. Você tem ideia do que isso representa? Para efeito de comparação, o número de pessoas que sequer pontuaram é mais que o dobro do número de vagas oferecidas pelo Sisu distribuídas para as universidade federais. Ou quase 10% dos 6,1 milhões que prestaram o Exame.

Como isso é possível em uma nota que vai de zero a mil? Considerando que a grande maioria dos inscritos já concluiu o ensino médio, o que deu errado? Segundo o Inep (Instituto que prepara e corrige o Enem), entre os que zeraram a redação, 217.471 fugiram do tema; 13.039 copiaram textos do enunciado; 7.824 escreveram menos de sete linhas; 4.444 não atenderam ao tipo textual solicitado; 3.362 tiraram zero por ‘parte desconectada’; 955 por ferirem os direitos humanos; 1.508 por outros motivos e os demais entregaram a redação em branco.

É possível, com um pequena análise destes resultados, reconhecer ou imaginar o perfil de muitos alunos. Vamos lá:

A – Fugiram do tema – Por falta de conhecimento, alguns tentaram a técnica de “encher linguiça”. Quem sabe a professora considera alguma coisa, hein? Infelizmente, na vida – e na redação do Enem – não dá para depender da sorte. Ou você sabe ou você não sabe.

B – Copiaram textos motivadores da prova – Destes jovens você já deve ter ouvido falar. São aqueles alunos que fazem uso do control C / control V em suas pesquisas escolares. Eles leem, mas, não interpretam e, claramente, não escrevem.

C – Escreveram menos de sete linhas – Estes são os apressadinhos, que não têm paciência de ler o enunciado. Talvez pensem que estão no Tweeter e quanto menor o texto mais eficiente a mensagem. A diferença é que nesta rede de mensagens da web não existe espaço para argumentos e desenvolvimento de ideias, ao contrário da proposta do Enem.

D – Não atenderam ao tipo textual solicitado – Será que estes saberiam explicar o que é ‘tipo textual’? Será que foram motivados a produzir textos argumentativos durante sua vida escolar? Ou se limitaram a escrever narrativas cotidianas com inicio, meio e fim.

E – Tiraram zero por parte desconectada – Comumente encontrados nas redes sociais, estes “multitemáticos” arranjam muita polêmica quando comentam energicamente postagens sem saber realmente sobre o assunto debatido. Seu lema é “eu falo mesmo, se não aguenta sai da conversa”. Este tipo considera que o fato de estar equivocado não é motivo para reflexão e, por isso, o erro sempre está no outro (pais, professores, escola, vizinhos e todos que não concordam com ele).

F – Por ferirem os direitos humanos – Direitos o quê? Direitos dos outros? Para que preciso saber? Para essa galera cheia de direitos, que não levam palmadas e não respondem por crimes, estabelecer vontade própria para moralizar é uma prática corriqueira.

G – Por outros motivos – Para estes eu guardo a falta de oportunidade de frequentar um ensino de qualidade, de acesso a boa literatura, de acompanhamento e direcionamento familiar e outros problemas socioculturais.

H – Entregaram em branco – Vou seguir seu exemplo e não escrever nada. Afinal, quem pode avaliar seus motivos?

Na verdade, o que nem todo mundo sabe é que, para responder o Enem, o estudante tem que pensar em todas as questões de forma contextualizada. As provas objetivas sem reflexão ficaram para trás, e os jovens brasileiros precisam estar à altura do novo desafio. Na redação, não basta dominar a gramática, os textos devem construir argumentos éticos, com propostas claras e inovadoras de intervenção.

E, por favor, não se contente em fazer parte da média. Os jovens são tão criativos, fazem memes hilários na internet dos fatos políticos e cotidianos, mas precisam utilizar também o seu tempo e criatividade para gerenciar seu sucesso estudantil. É preciso ser autodidata, desafiar-se, seguir grandes modelos, ler boas biografias, ter metas. Parece difícil, mas para alguns destes itens basta um clique, um passo, um começo.

Quem, ao final de cada ano escolar, conseguiu aumentar somente o número de amigos nas redes sociais, tem que repensar suas prioridades. Estamos no início do ano, uma boa hora para que cada jovem se proponha a investir em si, alimentando a mente e o intelecto. O conhecimento não é contagioso, mas é fruto de tempo, esforço e desenvolvimento.

 

 

 

 

 

 

 

Busca