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João Alberto é eleito pela 6ª vez presidente do Conselho de Ética do Senado

O senador João Alberto Souza (PMDB-MA), durante sessão deliberativa, no plenário do Senado

Extra — Com senadores investigados pela Lava-Jato, o Senado instalou, nesta terça-feira, seu Conselho de Ética e elegeu para a presidência, pela sexta vez e por aclamação, o senador João Alberto (PMDB-MA). Ele é ligado ao ex-senador José Sarney (PMDB-AP) e à cúpula do PMDB.

O senador Lasier Martins (PSD-RS) foi o único a se opor à candidatura de João Alberto e lançou o nome do senador Valadares (PSB-SE):

— Eu voto contra por entender que está na hora de mudar. São 12 anos na presidência do Conselho de Ética, com um trabalho muito lento. Esse conselho precisa funcionar mais ativamente.

Suplente do conselho, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) se irritou com Lasier Martins e o comparou ao ex-senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que era conhecido pelo discurso em favor da ética até ser cassado por sua ligação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

— Eu voto a favor, conheço o senador João Alberto. Já tivemos aqui um senador de Goiás dando lição de moral nos outros e depois foi revelada sua ligação com Carlinhos Cachoeira.

Lasier Martins se defendeu das alfinetadas de Jader Barbalhodizendo que o seu processo no STF é diferente de corrupção — é investigado por suposta agressão a mulher — e não se sente inabilitado para participar do Conselho de Ética. E criticou a eleição de João Alberto pela sexta vez para comandar o órgão que decide a vida dos senadores investigados.

— Há uma mesmice, João Alberto presidir o Conselho por 12 anos? É uma composição para blindar, há quatro senadores implicados por crime de corrupção. Meu caso é diferente, um caso pessoal e pedi STF para julgar logo, eu não posso ser anulado por um caso particular , o processo está andando rápido a meu pedido. Me considero habilitado — reagiu Lasier Martins.

Lançado candidato, o senador Valadares afirmou que só aceitaria a tarefa se fosse nome de consenso. Ele chegou atrasado à sessão do conselho e foi pego de surpresa.

— E eu apresentei meu nome por acaso? Quem apresentou meu nome?

A candidatura de João Alberto também foi apoiada pelo líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), que é investigado na Lava-Jato.

— Pegando exatamente a colocação do senador Lasier Martins, de que vivemos um momento de crise, por isso mesmo nada melhor do que colocar uma pessoa com experiência, preparada.

A primeira tarefa de João Alberto deve ser a análise de representação do PSOL e da Rede contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) por quebra de decoro parlamentar. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva e obstrução de justiça, acusado de ter recebido propina de R$ 2 milhões do frigorífico JBS e de ter tentado atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato. João Alberto afirmou que deve enviar o caso para a análise da Advocacia Geral do Senado, o que é um procedimento de praxe.

VICE-PRESIDENTE

O vice-presidente eleito do Conselho de Ética, Pedro Chaves (PSC-MS), suplente do senador cassado Delcídio Amaral, defendeu os requerimentos apresentados por Jucá, mirando a atuação da PGR e STF nos processos de investigação de senadores. Ele disse que o momento é de muita turbulência e é preciso dar celeridade aos processos de parlamentares .

— Há uma exploração indevida dessas investigações e colocam todos no mesmo saco. Devemos agir com celeridade para dar logo um fim a esses casos, para resolver os impasses — defendeu o vice presidente do Conselho de Ética, senador Pedro Chaves.

— Queremos levantar os dados dos processos dos senadores para que o Conselho possa conhecer e acompanhar — completou Jucá.

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