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Fábio Câmara, um guerreiro

Convenção do candidato a prefeito Fábio Câmara

Por Jeisael Marx

Certa vez, bem por acaso, no aniversário de um amigo em comum tive a oportunidade de sentar à mesma mesa que Fábio Câmara, recém eleito vereador na época. Fábio falava bastante, e eu fiquei a maior parte do tempo calado, na companhia de mais duas ou três pessoas na mesma mesa. Eu não estava tão à vontade, confesso.

Em dado momento, Câmara soltou a seguinte frase: “eu vou ser o primeiro prefeito negro dessa cidade”. Lembro de mais algumas coisas ditas por ele naquela noite, mas essa foi a que mais me chamou atenção. Não pela questão racial, de ser o primeiro prefeito negro, mas pela ousadia de um político debutante, que acabara de vencer sua primeira eleição. Eu ri “por dentro”, pensando “como é que esse ovo ainda nem é pinto e já quer ser galo?”

E não é que tá aí o “neguinho saliente” (termo usado por ele naquela conversa) candidato do PMDB disputando a eleição de prefeito. Particularmente, acho que Fábio Câmara não tem lastro pra ser eleito (prefeito), e nem concordo muito com a atuação dele como político ou com seus pensamentos e convicções ou com a forma com que dizem que foi eleito. Mas, hei de tirar o chapéu para o cara que começou como Serviços Gerais do PMDB e hoje é o nome do partido na disputa pela prefeitura da Capital.

Isso tudo, após vencer inúmeros obstáculos e se sobrepor a várias tentativas de boicote. Nenhuma pesquisa apontava a viabilidade de Câmara como candidato, o que fez os caciques do PMDB rejeitarem seu nome. Puro pragmatismo. Mas Câmara não se abateu, nem mesmo quando o partido negociava um possível apoio a candidaturas de outros partidos.

Dono de uma trajetória política iniciada em 2008 quando teve 3.856 votos sem ser eleito, Fábio Câmara só conseguiu ser vereador na disputa seguinte em 2012. Abandonado pelo seu “padrinho” Ricardo Murad na campanha de 2014, Câmara disputou uma vaga de deputado, não ganhou mas ficou na sexta suplência, sendo o sétimo mais bem votado em São Luís, com cerca de 12 mil votos só na Capital.

Na tentativa de ser candidato a prefeito em 2016 pelo PMDB,  o primeiro desafio foi  dentro do próprio partido. O mesmo Ricardo que abandonou Fábio na eleição de deputado para eleger a filha e o genro, se levantou contra Câmara no PMDB na tentativa de emplacar sua filha Andrea Murad como candidata.

Dessa vez o “neguinho saliente” deu o troco. Após conseguir o apoio do senador João Alberto e da ex-governadora Roseana Sarney, Fábio conseguiu se firmar como opção do PMDB na disputa de 2016.

Negro, de origem humilde, Fábio Câmara disse no ato que lançou sua candidatura que não tinha medo de voltar a ser motorista ou limpador de banheiro, caso não vença a eleição, e que seu objetivo é melhorar a vida das pessoas.

Meu posicionamento em relação ao pmdebista não mudou em nada. Mas, reconheço nele um guerreiro, ainda que num campo oposto de batalha. Só isso. Ah, e agora já não duvido de que um dia ele venha a ser o “primeiro prefeito negro da Capital”.

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