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Eu jogo, tu jogas, ele… é viciado. O game nosso de cada dia!

Por Glória Barreto

Você já recebeu convites para jogos nas redes sociais? Quantos joguinhos você tem no seu smartphone? Se os únicos games do seu celular são os que vieram instalados, se você se irrita quando recebe convites para jogos nas redes sociais, saiba que existe um universo contrário ao seu, onde os jogos estão, cada vez mais, tomando conta do tempo das pessoas.

Segundo o Ibope Media, jogos online são um hábito para 56% dos jovens brasileiros entre 15 e 33 anos com acesso à internet. Mas, essa não é uma atividade apenas de jovens e adolescentes. A empresa americana Entertainment Software Association, em sua pesquisa sobre a indústria de jogos, apontou a idade dos gamers: 37% tem mais de 36 anos, 31% entre 18 e 35 anos, 32% menos de 18 anos. A mesma pesquisa aponta que, atualmente, a prática é comum para as garotas, onde 5 em cada 10 jogadores são meninas.

Para jogar não é preciso videogame (apesar de continuarem populares), pode-se jogar no computador e, principalmente, no celular. Quem nunca jogou que atire a primeira pedra. Eu já joguei, e não foi pouco. Jogava para testar os games e me certificar que não seriam prejudiciais, violentos ou simplesmente inadequados à faixa etária dos meus filhos. Nisso, passava horas curtindo o superar das fases e as supostas conquistas de meu avatar.

É um tipo de entretenimento atraente, com desafios legais, que, mesmo com pouco esforço, geram sentimentos de prazer, poder, realização. E o aspecto mais viciante é a sensação de que há algo a ser terminado, você precisa concluir a tarefa, pois restam inúmeras fases e desafios a serem superados.

Alguns adolescentes que jogam online com uma rede de competidores afirmam sentirem-se impacientes e irritadiços quando não podem jogar. Isso acontece porque eles têm receio de serem superados por jogadores que permanecem mais tempo online. Esse comportamento leva muitos jovens a deixar de comer, de sair com amigos, de ficar com a família e, assim, perdem horas de sono jogando, por vezes, até a madrugada.

Sinais de alerta!

Quando a atividade do game passa a interferir na vida social, começa o perigo. Isso pode ser sintoma de vício. Isso mesmo: VÍCIO. Daniel Spritzer, psiquiatra e coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (Geat), com sede no Rio Grande do Sul, explica que o tempo dedicado aos jogos não é o que determina a dependência, mas o prejuízo na vida do jovem (e jogadores em geral). Ou seja, no momento em que outras atividades normais da vida passam a ser afetadas pela atividade do jogo.

Para saber se você, seu filho ou alguém de seu meio está perdendo o controle, vale a pena atentar para alguns comportamentos que podem sugerir o princípio do vício: desequilíbrio na hora de diversificar as atividades, insônia, irritabilidade por abstinência, alienação ao conversar sobre outros assuntos, isolamento social, problemas de concentração, baixo rendimento escolar e/ou profissional, dores no corpo, olheiras e palidez.

Benefícios dos games

Como educadora e jogadora eventual, eu não poderia concluir sem lembrar que os games são portas para incríveis aprendizados. Quem joga, aguça a criatividade, aumenta a capacidade de resolução de problemas, apreende gerenciamento de estoque, trabalho em equipe, planejamento estratégico, reagir e responder rapidamente a situações estressantes e, dependendo do jogo, aprende, inclusive, sobre outras culturas, períodos históricos e diferentes línguas (principalmente o inglês). Tudo isso, brincando!

Eles vieram para ficar

Há uma enorme variedade de jogos eletrônicos, criados para atender todas as faixas etárias e para diferentes grupos. Jogos bíblicos, simuladores de provas do ENEM, jogos para apoiar professores em conteúdos diversos, jogos que simulam práticas esportivas. Enfim, um sem número de opções que nem sempre servem só para o lazer. Na verdade, existem profissionais de diversas áreas que estão utilizando os jogos para melhorarem seu desempenho no trabalho, mas isso é assunto para outro artigo. Quem sabe semana que vem!?

Portanto, se você gosta de jogar, aproveite. Mas, tome cuidado. Se pudesse dar duas dicas, eu diria para primeiro escolher bem seus games, porque certamente eles vão te influenciar; em segundo faço minhas as palavras de Salomão, o sábio bíblico, que diz: “há um tempo para tudo”. Jogue, mas lembre-se que outras atividades também precisam de sua atenção. Para os “do contra”, antes de criar barreiras, experimenta.

 

 

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