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Dia de Liberdade de Cultos celebrado com bate-papo entre religiões no Na Hora D

 

Por Fernanda Fernandes*

O programa Na Hora D, apresentado pelo jornalista Jeisael Pacheco, recebeu representantes de diversas religiões durante um bate-papo em alusão ao Dia da Liberdade de Cultos, celebrado nesta segunda-feira (07).

Participaram da conversa de quase 1h, Claudia Gouveia, antropóloga que faz parte da Casa de Candomblé Ferreiro de Deus, Osmir Freire, presidente da Federação Espírita do Maranhão, padre Braulio Ayres, da Igreja Católica da Cidade Olímpica, e bispo Renato Chaves, presidente do Ministério da Colheita em São Luís-MA, teólogo, mestre em psicologia e Dr.h.c em educação. No bate-papo, os convidados puderam discorrer sobre o entendimento de cada religião em relação à diferença entre liberdade religiosa e liberdade de cultos, sobre diversidade, além da diferença entre religiosidade e espiritualismo.

“O que importa é que a gente entenda o que é a palavra liberdade, por que quando eu falo em culto, a que eu estou me referindo? Estou me referindo a religiões estruturadas, que estruturam a vida de pessoas, seres humanos que acreditam em Deus. Nós falamos na minha religião que não cai uma folha da árvore se assim Deus não permita. Então, todos nós falamos em Deus, acreditamos em Deus. Um Deus que é de amor, um Deus que protege, um Deus que nos fortalece nas nossas necessidades. Quando eu falo em liberdade, eu falo em uma permissão que o outro, que é diferente de mim ou que é igual a mim, possa se construir enquanto pessoa naquilo que ele acredita”, afirmou Claudia Gouveia.

Osmir Freire comentou a respeito da interdependência entre pessoas, da necessidade de ser completo, de conhecimentos e saberes. Ele e Jeisael explanaram que, sobre intolerância religiosa por exemplo, se antigamente templos de candomblé sofriam perseguição, hoje em dia, cristãos de outras religiões também têm sofrido. O bispo Renato Chaves lembrou que, quanto às minorias, Jesus atravessou a fronteira do preconceito no momento em que pregou e teve contato com pessoas que estavam às margens da sociedade.

Para Claudia Gouveia, a religião de matriz africana foi reconstruída com novos signos e novos sentidos, mas a estrutura e a forma de ver o mundo através de suas raízes são reforçadas até hoje. A ideia de pensar que “meu mundo é melhor” deve dar lugar, segundo a antropóloga, ao pensamento de tolerância e respeito. O padre Braulio interpreta que as pessoas criam distância imensa entre Deus e a divindade; além disso garante que enquanto o culto for individualista e não abrir espaço para o outro, não será possível cultuar ao Deus Vivo, não haverá fraternidade.

“Nós plantamos no Brasil, por mais de 500 anos, essa ideia separatista, exclusivista. Onde Deus não é um polo de unidade. O mal que nós construímos foi tamanho, foi grande. Que, ainda em 500 anos, não conseguimos reverter este quadro”, disse o padre Braulio Ayres no contexto em que é necessário passo a passo para se tornar a igreja apostólica dos discípulos de Jesus; onde é preciso desconstruir para construir o que Jesus de Nazaré prega.

A dicotomia, para o bispo Chaves, não deixa as pessoas existirem, referindo que “no grego a palavra ‘viver’ é acontecer na existência”. Ele enfatiza que somos reféns da filosofia do falso/verdadeiro, feio/bonito, a limitação que caminha para o niilismo (leia-se, via InfoEscola, “o que exalta radicalmente a concepção materialista e positivista, onde toda e qualquer possibilidade de sentido, de significação da existência humana, inexiste”). Assim, sobre a lei do progresso e da evolução, Osmir Freire lembra que “nós partimos de pontos diferentes, de diferentes origens, mas caminhamos para a unidade, que é Deus. Então, à medida que o tempo passa, essas divergências diminuem por que nos aproximamos mais de Deus. Isso é uma tendência, é da evolução”.

“Infelizmente temos líderes e algumas igrejas que demonizam a religião de matriz africana. O líder tem que entender o seu papel frente à sua comunidade”, reforçou Claudia Gouveia sobre a importância da fala de um líder e sobre a busca por conforto e amor.

Provocados pelo apresentador sobre os símbolos religiosos e se eles vêm a ferir a laicidade do Estado, o padre Braulio Ayres exemplificou que as pessoas só reclamam quando tocam em suas religiões, mas que há proselitismo (empenho de tentar converter uma ou várias pessoas em prol de determinada causa, doutrina). Conclui que dizendo que “se me favorece estou bem, mas se fere o meu irmão do terreiro eu não vou defender”, citou quanto à postura de muitas pessoas na população, ditadas pelo egoísmo e a intolerância.

“Eu preciso ser livre para concordar e discordar, eu só posso ser eu se você for você. Se você for uma projeção mal resolvida de um ‘eu confuso’, nem eu sou eu, nem você é você. Essa coisa do Estado me impor regras, me deu o Estado laicado, e agora me impõe regras no meu culto, na minha prática, é incoerente”, assegurou o bispo, sobre a leitura da Constituição e do Estado laico. Osmir Freire complementa que embora esteja previsto na Constituição, não está sedimentado na mente do povo e nos dirigentes, assinalando que encontros são importantes para que se reflita sobre a necessidade de se respeitar a liberdade religiosa de culto, de atributos que são próprios do ser humano de modo geral. “Não é eu ser livre para fazer o que eu quero, é ser livre para fazer o que eu devo fazer. Se eu aliar a liberdade à responsabilidade, eu vou conviver bem com todo mundo”, frisou.

Sobre convivência, bispo Renato lembrou que a cada 20 segundos, alguém interrompe a sua própria existência no planeta. “A gente está do lado de gente que está gritando por socorro e nós estamos impedindo a convivência. Nascemos para melhorar a vida do outro e, se a gente não melhora a vida do outro, nem a vida da gente como altares vivos tem servido pra muita coisa. Convivamos em paz”, finalizou.

NA HORA D

O jornal Na Hora D, apresentado pelo jornalista Jeisael Pacheco, é exibido ao vivo de segunda a sexta na TV Difusora, canal 4, de 11h40 às 12h40. Sugestões, dúvidas e denúncias podem ser repassadas através do WhatsApp do programa: (98) 99196-8622.

*Fernanda Fernandes é jornalista; editora-chefe do Na Hora D.

Confira abaixo, na íntegra, a entrevista:

Radialista e Jornalista, Professor de Comunicação e Oratória, Locutor Publicitário e Apresentador de TV
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