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Delator diz que tinha acordo com Cunha para cobrar dívida de R$ 10 mi

Cartaz da organização internacional Avaaz, que promoveu abaixo-assinado pela cassação de Eduardo Cunha, é exibido em sessão do Conselho de Ética da Câmara

BRASÍLIA – O lobista Fernando Soares, conhecido como FernandoBaiano, está depondo na tarde desta terça-feira, 26, no Conselho de Ética da Câmara sobre a sua relação com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Baiano é uma das principais testemunhas de acusação do processo por quebra de decoro parlamentar contra Cunha. Ele confirmou que possuía um acordo com o peemedebista para cobrar uma dívida do lobista Júlio Camargo.

A defesa do lobista sugeriu que o depoimento fosse a portas fechadas, mas o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), avisou que não aceitaria o pedido. Ficou acordado que Baiano prestará depoimento sem a presença de fotógrafos e cinegrafistas. Assim, qualquer imagem capturada da sessão pode colocar em risco a validade do depoimento.

No início da oitiva, o deputado Manoel Junior (PMDB-PB), aliado de Cunha, solicitou que o relator Marcos Rogério (DEM-RO) questionasse o depoente apenas sobre temas que fizessem parte da denúncia, que investiga se Cunha mentiu ou não sobre possuir contas no exterior. “Acho ineficaz estarmos tratando de assuntos que não estão afeitos ao que vamos julgar”, comentou. A primeira pergunta de Rogério foi sobre a compra de navios-sonda da Petrobrás.

“Não cabe ao relator escolher as provas que chegam ao processo. Se tais informações serão usadas no relatório final isso será objeto de análise”, rebateu o relator do processo, que seguiu com os questionamentos. Baiano respondeu que atuou como intermediário junto à Diretoria Internacional da Petrobrás. O lobista disse que, nessa época, em 2009, conheceu Cunha durante um café da manhã em um hotel, através de um conhecido.

O peemedebista teria pedido a Baiano, em 2010, para verificar com as empresas com as quais o lobista trabalhava se poderiam fazer doações para a sua campanha. Questionado sobre a reação de Cunha, Baiano afirmou que tinha uma boa relação com o parlamentar. “O deputado Eduardo Cunha sempre foi muito cordial comigo, sempre foi muita educado, não teve nenhuma reação abrupta, ameaça, nada disso”, contou.

Como as empresas representadas por Baiano disseram que não poderiam contribuir, o lobista teria proposto a Cunha que o ajudasse a cobrar uma dívida de R$ 10 milhões de Júlio Camargo. Com o acordo, uma parte da quantia iria para Cunha. Ele confirmou que esteve na casa do deputado algumas vezes, geralmente aos finais de semana quando estava no Rio de Janeiro, e que também esteve no escritório de Cunha, em reuniões a sós.

Delator de Cunha nas investigações da Operação Lava Jato, Baiano cumpre prisão domiciliar desde meados de novembro passado. Apontado como operador de propinas do PMDB no esquema de corrupção que se instalou na Petrobrás, Baiano fez delação premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal em setembro. Em seus depoimentos, ele revelou encontros na casa de Cunha para cobrar propina atrasada. Ele citou o peemedebista como beneficiário do esquema de propina na estatal.

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