Author Archives: Jeisael Marx

Radialista e *Jornalista, Professor de Comunicação e Oratória, Locutor Publicitário e Apresentador de TV, apaixonado por carro antigo e motociclismo.

*em formação.

Depois de fazer a vontade de Sarney, Temer aceita filha do presidente do PTB no Ministério do Trabalho

José Sarney meteu o dedo e Temer aceitou: foi vetada a nomeação do maranhense Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho. O nome havia sido escolhido pela cúpula nacional do PTB, mas Sarney fez questão de barrar. Então, o presidente Michel Temer acatou a segunda escolha dos petebistas: Cristiane Brasil, filha do presidente nacional da legenda, Roberto Jefferson, será a nova ministra do Trabalho e Emprego (MTE).

Cristiane Brasil

A informação foi confirmada pelo próprio Jefferson, após reunião com o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu na tarde desta quarta-feira (3). A escolha foi anunciada pela Presidência em nota: “O presidente Michel Temer definiu hoje que a deputada federal Cristiane Brasil será a nova ministra do Trabalho. O presidente recebeu na tarde desta quarta-feira a indicação oficial feita pelo PTB”.

O Ministério do Trabalho está sem titular desde que o também deputado federal pelo PTB Ronaldo Nogueira pediu demissão, no último dia 27. Ele se desligou com o argumento de que quer se dedicar à sua campanha pela reeleição.

O deputado federal Pedro Fernandes chegou a ser escolhido para comandar o ministério, mas teve o nome vetado por José Sarney. O velho oligarca maranhense queria em troca o apoio dos petebistas do Maranhão para a sua filha, Roseana, candidata ao governo do Estado.

Como Pedro Fernandes não quis conversar com Sarney, e ainda por cima anunciou apoio ao governador Flávio Dino, o oligarca acabou vetando o maranhense de assumir o MTE.

As falhas da Operação Pegadores que a colocaram em dúvida

Após vir à tona uma série de equívocos durante as investigações, ficou em situação delicada a Operação Pegadores desencadeado pela Polícia Federal para apurar denúncia de desvios de verbas públicas na Saúde do Maranhão.

Algumas teses levantadas foram caindo por terra e acabaram por ivalidar, ou no mínimo colocar em dúvida, todo o restante da investigação. As principais acusações não se sustentaram, o delegado Cajé – que conduziu a operação – vem sofrendo reveses, e a Justiça deu duas decisões que acabam por colocar em xeque se de fato houve desvio na gestão Flávio Dino na Saúde.

Entenda

A Pegadores é um desdobramento da Operação Sermão aos Peixes que apura essencialmente desvios de recursos da Saúde no governo Roseana Sarney, quando Ricardo Murad era o secretário de Saúde. Entretanto, o delegado Wedson Cajé Lopes direcionou o foco para a atual administração, dizendo que havia ilicitudes praticadas a partir do ano de 2015.

A mais notória acusação foi a existência de uma suposta lista de funcionários fantasmas, com mais de 400 nomes. No entanto, quando o inquérito veio a público, essa tese não se sustentou. Também foi divulgada a existência de uma sorveteria que serviria pra prestar serviços de saúde ao governo do estado. No entanto, o governo não tinha contrato com esta empresa, que, na verdade, deixou de ser sorveteria no ano de 2013, não em 2015 como afirmado pelo delegado. A partir de então, a Operação começou a sofrer reveses em sequência.

O Tribunal Regional Federal da 1a Região, por exemplo, reconheceu que a PF do Maranhão não tinha competência para conduzir o caso. Para os desembargadores, o delegado Wedson Cajé ultrapassou os limites de suas prerrogativas.

O blog elenca abaixo alguns episódios:

 1. Justiça mandou pagar supostos “fantasmas”

A 1ª Vara Criminal da Justiça do Maranhão reconheceu que os médicos acusados de serem fantasmas devem receber os salários a que têm direito. Isso porque reconheceu que eles trabalharam de fato.

A juíza Paula Souza Moraes decidiu que não é possível “ignorar a existência dos serviços efetivamente prestados por profissionais da saúde que fazem jus à remuneração correspondente”. Ela determinou que se busquem “alternativas administrativas que possibilitem o pagamento do efetivo serviço médico prestado” pelos profissionais.
Ora, então não eram fantasmas como disse a PF?

2.    Denúncia contra delegado

Diante das acusações não provadas, o delegado Cajé Lopes foi alvo de uma Reclamação Disciplinar que está sendo analisada pela Corregedoria Geral da Polícia Federal.  O pedido para abrir um processo administrativo disciplinar contra o delegado foi feito pela Procuradoria Geral (PGE) do Estado.

Para a PGE, o delegado ultrapassou “os limites do dever de informar” e “distorceu fatos com o objetivo de criar pautas sensacionalistas para a imprensa”. “Em momento algum a própria investigação policial os tratou [os funcionários] como fantasmas, ao contrário do que fora divulgado de modo sensacionalista”, acrescenta a Procuradoria.

3.    “Dossiê” desmontado

Na semana passada, circulou um dossiê dizendo que o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, comandava um esquema de corrupção na Pasta. O documento teria sido encontrado na casa de um suspeito. Mas, em depoimento, esse mesmo suspeito negou ser o autor do tal dossiê. Segundo ele, os papéis foram colocados dentro de um envelope na caixa de correio de sua casa por alguém que ele não sabe sequer quem seria.

O problema, pasmem, é que esse documento embasou a Operação Pegadores. Sem autenticidade comprovada, o dossiê vira pó.

4.    Reação dos acusados

A acumulação dos fatos citados acima recebeu a reação do governador Flávio Dino e do secretário da Saúde, Carlos Lula.

“Defendo investigações sérias e isentas. Governo com seriedade e transparência nota 10. Porém combato ilegalidades e o fascismo. Não pode haver vale tudo. Temos o dever de proteger a Constituição e as leis, com coragem”, disse o governador nas redes sociais.

“Há um mês, um delegado de polícia inventou 400 ‘fantasmas’ na saúde do Maranhão. Ele usou um ‘dossiê’ falso. O Judiciário o afastou do caso. O Estado representou contra ele na Corregedoria da PF. Não podemos aceitar abusos e arbitrariedades”, acrescentou.

Carlos Lula disse, também nas redes sociais, que “nenhum agente público pode, achando-se centurião, levar adiante operações policiais cometendo ilegalidades”.

Este blog reforça que defende o trabalho das Polícias, sempre foi assim. Mas não compactua com quaisquer tipos de ilicitudes ou mesmo crimes cometidos por quem quer que seja, inclusive pela Polícia como justificativa de combater outros crimes. A Polícia não pode se dar ao luxo de cometer deslizes durante uma investigação que sirvam para derrubar toda uma Operação.

Continuamos a acreditar e defender o trabalho da Polícia Federal, quando este feito de maneira esmerada, respeitando, acima de tudo, os direitos preservados pelas Leis brasileiras, notadamente a Constituição Federal.