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Aprendendo com as crianças

Por Glória Barreto

Se nos perguntassem qual a característica infantil gostaríamos de ter, o que responderíamos? Talvez a “inocência” para imaginar um mundo melhor. Ou aquela “tranquilidade infantil” de pensar que tudo vai dar certo. Ou aquele “poder de perdoar” e conviver normalmente com quem nos magoou. Todas estas são características invejáveis, que, somadas à curiosidade e a sinceridade infantil, poderiam mudar a vida de muitos marmanjos.

Algum tempo atrás, o jornal Corriere Della Sera fez uma pesquisa e nela solicitava que as crianças escrevessem uma oração. Abaixo, constam as frases que o jornal italiano publicou sobre o relacionamento das crianças com Jesus:

“Caro Jesus, a girafa você queria assim mesmo ou foi um acidente?”

“Querido Menino Jesus, todos os meus colegas da escola escrevem para o Papai Noel, mas eu não confio naquele lá. Prefiro você.”

“Querido Menino Jesus, obrigado pelo irmãozinho. Mas na verdade eu tinha orado pra ganhar um cachorro.”

“Querido Jesus, por que você não está inventando nenhum animal novo nos últimos tempos? A gente vê sempre os mesmos.”

“Querido Jesus, por favor, ponha um pouco mais de férias entre o Natal e a Páscoa. No meio, agora está sem nada.”

“Querido Jesus, o pastor Mário é seu amigo ou você conhece ele só do trabalho?”

“Querido Jesus, gosto muito do Pai nosso. Você escreveu de uma vez só ou teve que ficar apagando?

“Querido Jesus, estudei que Thomas Edson inventou a luz. Mas acho que foi você. Pra mim, ele roubou sua ideia.”

“Querido Jesus, talvez Caim e Abel não se matassem tanto se tivessem um quarto pra cada um. Com o meu irmão funciona.”

Você percebeu que a forma com que elas conseguem observar a vida é doce e ao mesmo tempo engraçada? Talvez este diferencial pudesse ser imitado pelos adultos, afinal, os pequenos não manipulam reações corporais e conseguem falar o que estão sentindo. Eles choram quando caem, dizem “eu te amo” sem medo e conseguem superar-se física e intelectualmente.

Não estou querendo dizer que devemos sair falando tudo que achamos, ou que poderíamos agir de forma infantil e imatura. Apenas proponho somar à maturidade desenvolvida a possibilidade de sermos mais sinceros, a começar conosco. Quem sabe estabelecendo prioridades para o que realmente gostamos; ouvindo com mais atenção e admiração os mais experientes; relembrando o prazer ao descobrir coisas novas e admitindo que não sabemos de tudo.

Assim, talvez você possa ser menos duro consigo e passe a reservar tempo para apreciar as coisas simples ao seu redor, aquelas que não têm preço como ouvir uma boa música, assistir um lindo pôr do sol, caminhar sem pressa, ir ao culto de sua igreja, ajudar a um amigo, visitar seus pais, rir de você mesmo, e, quando tudo der errado, se permitir sofrer.

Tente recordar que apesar de ser um adulto, você continua tendo a possibilidade de “crescer”, porque só paramos de aprender quando morremos.

 

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