Prefeitura de São Luís

Algumas verdades sobre a mentira.

Quem é que nunca se viu obrigado a contar uma “não verdade”? Ou pelo menos omitir a verdade? Sim, omitir. Que é bem diferente de mentir. Ou seja, não é uma coisa nem outra. Político, por exemplo, sabe fazer isso muito bem.

Mente aquele que diz que não mente. Dizem os estudiosos do assunto que uma mentira vem aos nossos lábios cerca de 200 vezes por dia. Credo! Pelos meus cálculos, isso deve dar uma “não verdade” a cada 8 minutos em média. Coisas do tipo “nossa como você está bonito hoje” ou “diga que não estou”.

Na maioria das vezes, as “palavras certas” são cada vez mais pura mentira. Isso porque apresentar a verdade em doses reduzidas facilita a vida. É o que os americanos chamam de “mentiras brancas”. Sabe o que se diz daqueles que sempre dizem a verdade? Que são ingênuos. Estes facilmente arrumam inimigos.

Outro dia ouvi em uma palestra (não lembro de quem) que “a primeira verdade é sempre uma mentira”. E pior que é mesmo. Imagine uma situação em que você não quer deixar o seu filho na casa do seu irmão porque o priminho bate nele. Você vai arrumar outra desculpa e não vai falar a verdade. A intenção é resguardar a boa relação familiar. E não adianta os falso-moralistas dizerem que “a verdade deve ser dita, por mais dura que seja”. Essa é mais uma “não verdade”. Às vezes, tudo que queremos é ouvir uma mentira. A gente quer acreditar numa verdade que não existe. E então acontece a pior face da mentira: quando nós mentimos pra nós mesmos.

Segundo as análises de diários da psicóloga americana Bella DePaulo, da Universidade da Virgínia em Charlottesville, os cônjuges e familiares são as maiores vítimas da mentiras graves que contamos. Mas, no campo profissional, talento pra enganar é sinal de inteligência e fator de sucesso. Tão útil quanto criatividade, intuição ou perspicácia.

Tudo bem que, às vezes, uma mentirinha serve ao propósito de “fazer o bem”. Mas a grande verdade sobre a mentira é que seu conceito vem sendo tratado levianamente, e é vergonhoso como lidamos com ela hoje em dia. A ciência tenta explicá-la, há estudos sobre ela, procura-se sua origem, e, em geral, é considerada inofensiva ou até mesmo necessária à vida em sociedade. Ou seja, em última análise, mentir pode ser visto como algo bom.

Só é bom lembrar do velho adágio popular: “a mentira tem pernas curtas”. Diria mais: só dura até a verdade chegar. E para se manter uma mentira, tantas outras terão de ser contadas. De modo que se torna uma bola de neve e, por vezes, arruína rapidamente o mentiroso. “Os mentirosos não ganham senão uma coisa: é não serem acreditados mesmo quando dizem a verdade.” (Esopo).

Jeisael Marx
Radialista e Jornalista, Professor de Comunicação e Oratória, Locutor Publicitário e Apresentador de TV
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