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“Agora, o prefeito e o governador eleito fazem parte da mesma ‘facção’ política”

A frase que intitula este texto foi vomitada proferida na manhã desta segunda-feira (06), por um conhecido radialista, em um certo programa de rádio, nas primeiras horas do dia. A palavra “facção”, apesar de, por definição, significar também a união de qualquer grupo de pessoas em torno de uma causa em oposição à outras, serve atualmente mais para definir grupos criminosos. Qualquer pessoa que a ouve, imediatamente faz essa associação.

De modo nada inocente – na verdade, de forma dolosa – o radialista (o qual prefiro não mencionar o nome, pelo respeito e admiração que por ele tinha até alguns dias atrás) utilizou o termo “facção” num comentário ríspido acerca da administração do prefeito Edivaldo Holanda Jr. que, segundo ele, perde a desculpa de falta de apoio do governo do estado com a eleição de Flávio Dino para avançar com as obras na cidade.

Nada demais, não fosse a transparente dor de cotovelo com a eleição do comunista e o recalque com a perda de mando do grupo oligárquico o qual o “colega” radialista defende e chegou a até emprestar (ou vender) sua voz durante a campanha para as peças de TV e rádio que atacavam com mentiras latentes o agora governador eleito.

Força de trabalho a gente vende mesmo. Se o produto que o locutor/radialista tem é a voz, é esse o produto que vende. Ter lado também enquanto profissional da imprensa é salutar, desde que de maneira clara e com bom senso. O que não pode é, no exercício da profissão, vender sua consciência e atropelar os princípios éticos que deveriam nortear a sua atuação.

Os argumentos do “colega” em questão foram mal escolhidos para pontuar um questão séria e pertinente. Não precisava utilizar o termo “facção”, isso empobreceu a fala e, mais que isso, mostrou a pobreza de espírito e o quão “barata” é sua consciência “vendida” por um salário e a carteira assinada.

Utilizar a palavra “facção” para se referir ao grupo político do qual fazem parte Flávio e Edivaldo teve a clara intenção de tratá-los como bandidos criminosos. Faltou apenas o colega elencar os crimes desses “bandidos”.

Talvez, se olhasse melhor para o grupo o qual o defende, grupo envolvido em diversos esquemas de corrupção e propina que explodem na imprensa nacional, grupo que vive nababescamente em detrimento à fome e à miséria que assolam nosso estado, talvez se olhasse para aquele que lhe garante o salário no fim do mês e é investigado até por formação de quadrilha, o nobre radialista saberia a quem melhor se aplica o termo “facção”.

 

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