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A mão do “dono”

Ao longo do muuuuito tempo de domínio do clã Sarney no Maranhão, é 'natural' que o grupo acabe se achando dono do estado. É como um invasor que depois de algum tempo passa a reclamar a propriedade de um terreno ou imóvel no usucapião. Não é novidade o batismo em nome de “Sarneys” de cidades, bairros, escolas, ruas, avenidas, salas e prédios de órgãos públicos. Como um cachorro que mija para marcar território, o grupo batiza tudo de “Sarney” pra dar o recado: aqui tem dono.

Quando o TCE ainda tinha o nome de Roseana

Não é um recado velado, não. É às claras mesmo. Até um tempo atrás o Tribunal de Contas do Estado estampava em sua fachada o nome da governadora, algo vetado pela constituição. O livro do “velho” Sarney que mergulha no universo mítico dos pescadores do Maranhão, traz subliminarmente na capa “O Dono do Mar – José Sarney”. Pra bom espremedor, meia laranja basta. Pra bom entendedor, não precisa o 'anhão'.

Mas, os parágrafos anteriores são apenas uma introdução para o que realmente será tratado neste texto. Não faz muitos dias (não mesmo), um grupo de advogados protocolou na Assembleia Legislativa do Maranhão um pedido de impeachment da governadora Roseana Sarney.

Leia aqui: Advogados entram com pedido de impeachmente de Roseana

O presidente da Casa, deputado Arnaldo Melo (PMDB), convocou imediatamente um grupo de deputados para debater o caso, apenas deputados governistas, diga-se de passagem. Na reunião, alguns, mesmo da base de apoio da governadora, entendiam que o pedido dos advogados deveria seguir o curso normal de apreciação, de acordo com o regimento interno da Assembleia. Outros, mais carcarás, insistiam em atropelar o regimento, chegando a “exigir” do presidente, que ainda relutava, o arquivamento.

No momento da reunião, Arnaldo Melo recebe uma ligação e, logo em seguida, decide pelo arquivamento do pedido de impeachment sem mais discussões. Seria uma ligação de José Sarney. Manda quem pode, obedece quem quer mostrar que é confiável para assumir a cadeira de governador em caso de afastamento de Roseana, que está sem vice.

Leia aqui: Presidente da Assemblea arquiva pedido de impeachment de Roseana

Restou aos advogados signatários do pedido recorrerem da decisão unilateral do presidente do legislativo estadual. E aos deputados de oposição a solicitação de reabertura do processo protocolado na Assembleia. Já desgastado pela primeira decisão, Melo deixou o abacaxi nas mãos do vice-presidente da Assembleia, deputado Max Barros (PMDB), que prontamente se encarregou de executar as ordens do “dono” e barrar o prosseguimento do impeachment de Roseana. Não custa lembrar que todos são do mesmo partido, Max, Arnaldo, Roseana e José.

Independente de se ia ser aceito ou não o impeachment ou de haver erros no pedido, como afirma o deputado Arnaldo Melo, fato é que não se respeitou o curso normal do processo de acordo com as regras da Casa. Tudo para agradar o “dono”.

 

 

 

 

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