Publicidade

A imoralidade da Igreja Universal do Reino do Sarney

Acostumado a confundir o que é público com o que é particular, o velho Sarney está com as armas apontadas para o novo governo que quer moralizar o Convento das Mercês, lugar escolhido pelo oligarca como uma espécie de Igreja Universal do Reino do Sarney.

Com o Maranhão sob comando dos sarneyzistas durante décadas, tudo que queriam, podiam. Usando os deputados como bichinhos amestrados, transformavam o que era apenas vontade pessoal em lei para que o estado passasse a bancar seus desejos particulares. Foi assim com o convento. E olha que isso eles sempre souberam fazer, dar um verniz de legalidade às suas imoralidades. Assim, ninguém poderia reclamar sem ouvir o brado “não estamos fazendo nada ilegal”.

Para abrigar alguns apetrechos, presentes, lembranças e documentos da época em que o maranhense passou pela Presidência da República, foi criada a Fundação José Sarney, que se instalou no Convento das Mercês. Essa relíquia da arquitetura colonial, propriedade do Estado, e, portanto, do povo do Maranhão, foi doada – sim, nobres leitores – doada para a Fundação do Sarney em 1990. O patriarca chegou a mandar construir um mausoléu onde pretendia ser sepultado. Esperava ele que o monumento se transformasse em local sagrado de visitação ao Santo Sarney do Maranhão.

Depois que o Ministério Público Federal entrou com ação na Justiça, o imóvel foi devolvido ao patrimônio do Estado em 2009, e a fundação privada foi extinta logo depois. Mas – e com essa turma sempre tem um “mas” -, Roseana Sarney, que era a governadora, recebeu a devolução do imóvel e deu um jeito de criar uma nova fundação, desta vez dita 'pública', entretanto, com um estatuto dando amplos poderes à sua família de manter eternamente o museu do seu pai dentro do prédio histórico. Eu avisei, eles são craques em dar um verniz de legalidade às sua imoralidades.

O estatuto da nova fundação é considerado pela OAB como ilegal, e o Ministério Público estadual sinalizou haver outras ilegalidades no processo de extinção da antiga fundação privada. Mesmo assim, a palhaçada se estendeu até agora, simplesmente porque o poder sempre esteve nas mãos deles.

Com a mudança de comando no Maranhão, o novo governo já sinalizou que pretende mudar essa situação. O que for efetivamente de interesse público, será mantido, mas aquilo que existe no Convento das Mercês servindo apenas para cultuar a personalidade de José Sarney e sua família será de lá retirado. Qual o interesse público, por exemplo, dos quadros que retratam Sarney e seu bando vestidos com indumentárias religiosas? (Veja abaixo) Qual o interesse público no boletim escolar de Roseana Sarney?

Não adianta o velho Sarney estrebuchar, utilizar o pasquim da família para se vitimizar e acusar o governo de perseguição ou de querer acabar com a Fundação instalada no Convento. O secretário de Articulação Política do Governo, Márcio Jerry, disse que a diretriz é fazer com que a fundação seja da memória republicana, e não do culto à personalidade de um ex-presidente. Se tiver que permanecer pública, que não use recursos públicos para fins privados.

Outras instituições de mesma natureza, como o Instituto Lula, Fundação Getulio Vargas ou o Instituo Fernando Henrique Cardoso, se mantêm com recursos privados. Somente aqui, no Maranhão, a Igreja Universal do Reino do Sarney quer se manter com dinheiro público. Esse velhaco não é santo mesmo. Definitivamente não. Vade retro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Busca